UM HOMEM É UM HOMEM
de Bertolt Brecht.
Sobre a peça
UM HOMEM É UM HOMEM, escrita entre 1921 e 1926 é a peça que inaugura o Teatro Épico de Bertolt Brecht, o Teatro da Era Científica ao qual tanto se referia.
Transpondo os limites românticos do expressionismo, Brech revoluciona o teatro em todos os seus aspectos: o princípio da criação dos cenários, a dramaturgia e principalmente a maneira de interpretar dos atores, dando um novo sentido à arte do teatro.
Em UM HOMEM É UM HOMEM, marco definitivo da modernidade no teatro: Brecht vem demonstrar que um Homem pode ser desmontado como se fosse uma máquina e remontado da maneira que melhor convier; e que, querendo ou não, todas as pessoas têm a capacidade individual, indiferenciada e anônima de fazer número.
Todos fazem número sempre.
Chiarini: "A concretude existencial do indivíduo dentro desta sociedade é numérica, onde se esteja, se faz número e não só se faz mas também se o é em sí."
Wintzen: "A peça trata da permanente disponibilidade do indivíduo, de sua constante permeabilidade à mudança, de sua grotesca e perigosa maleabilidade."
Dort: "O Homem não está mais no centro do mundo; ele está aí, tal como vive suas relações com a realidade objetiva, tal como é feito pelo mundo e tal como se faz para fazer o mundo."
Gisselbrecht: "A transformação do pequeno burguês alemão, sem opinião e invertebrado, num facista violento, ocorre como a de Galy Gay ( o João Ninguém): lenta e inconscientemente.
Neste sentido, não é difícil transformar um homem do povo num fantoche do aparelho facista. Não é um destino individual que que está sendo aqui focalizado: é uma sociedade concreta, históricamente localizada."
Nessa arquitetura do Homem, nesse engendramento, nossa sociedade tem produzido "verdadeiras maravilhas" e quanto a isso resta-nos a esperança de fazer pensar nas possibilidades de transformação do destino que nos reserva: "O Sr. Bertolt Brecht espera observem cada passo de sua caminhada e que vendo Galy Gay (o João Ninguém) percebam como é perigoso nesse mundo viver." (viúva Leokadja Begbick)
"...advertência, apelo, alerta contra a abdicação e a passividade."
sinopse - ficha técnica - sobre a peça - o autor - o espetáculo - patrocínio