O teatro foi o maior acontecimento do mundo civilizado, em festivais que tiveram noutros tempos maior importância do que os campeonatos esportivos da atualidade. As artes ocuparam um importante espaço na vida da sociedade, com a educação dos jovens feita através do canto, da dança e da representação; de forma integrada aprendia-se participando.
Nos tempos atuais o Homem carece de espaço e de tempo, em todos os seus sentidos. Programado para uma sociedade utilitária, desenvolve muito pouco de sua capacidade reflexiva criadora. Realizando tarefas automáticas, participa minimamente do mundo em que vive e extravasa a sua necessidade de expressão nas grandes torcidas de algum jogo ou nos inúmeros distúrbios de comportamento que podemos observar nesses tempos de solidão, individualismo, agressividade, medo e de esperança de que tudo isso possa mudar.
Temos no teatro a possibilidade de humanizar trabalhando diversos aspectos da vida, contrapondo os opostos em busca do equilíbrio, experimentando o peso e a leveza, do suave ao brusco, a dispersão e a concentração, o parcial e a totalidade, a eternidade e o imediato; estabelecendo o contato solidário, através do convívio lúdico, da percepção do espaço (individual e coletivo), exercitando progressivamente a sociabilização, a capacidade reflexiva e o espírito criativo através de exercícios e de jogos específicos em torno da concentração, da observação, da imaginação, da crítica e da elaboração de conclusões próprias dos integrantes.